Life Plan: Um Presente de Pais para Filhos

27 de fevereiro de 2020 - Planejamento Estratégico Pessoal, Plano de Vida

Life Plan: Um Presente de Pais para Filhos

A escolha da profissão

A maior parte dos jovens que se prepara para entrar na faculdade atravessa um período caracterizado por um alto nível de estresse e ansiedade. Nesta fase da vida, a escolha do curso superior que deseja fazer e, consequentemente, a decisão sobre a profissão que imagina exercer no futuro é, para boa parte deles, uma decisão complexa que envolve muitas incertezas. 🤔

A pouca maturidade que caracteriza a idade na qual isto ocorre, bem como a total falta de experiência, torna esta decisão ainda mais complexa, além de um campo fértil para a influência de pressões e expectativas vindas de todas as direções.

Por um lado, o total desconhecimento desses jovens sobre seu próprio perfil comportamental os faz simplesmente ignorarem a importância da existência de um alinhamento mínimo entre o perfil comportamental de cada indivíduo e as características e competências necessárias para o exercício adequado de cada profissão.

Por outro lado, a indefinição de uma Missão e de uma Visão de futuro desejado faz com que esses jovens não estejam conscientes, nem preparados, para tomar a decisão sobre sua formação profissional com base nestes direcionadores estratégicos. A falta de consciência sobre esses aspectos faz com que critérios muito menos importantes ganhem uma força relevante, tais como: potencial de ganhos financeiros, prestígio social, facilidade de aprovação no vestibular, sugestões de amigos, referenciais familiares, etc.

Além disso, raramente alguém nesta fase da vida cogita se, no futuro, exercerá atividades com vínculo empregatício ou se será um empreendedor, o que poderia levar a escolher uma formação profissional totalmente diferente daquela escolhida sem considerar essa questão. 👩‍🏭👩‍💼

Cabe mencionar, ainda, aqueles jovens que antes de chegarem à universidade demonstram possuir talentos inatos e especiais, tais como: habilidade para desenhar, para escrever, para representar, para tocar um instrumento, etc. Muito provavelmente, poucos são os jovens que, na hora de escolher uma profissão, levam em conta a possibilidade de se tornarem artistas profissionais, o que faz com que esses talentos se percam ou, no melhor dos casos, continuem existindo na forma de uma joia não lapidada. 🎭

Desvio entre a formação e o exercício profissional

Segundo artigo publicado pela versão digital da Folha de São Paulo, em 11 de setembro de 2006, de autoria de Antônio Gois, da Sucursal do Rio de Janeiro, sobre pesquisa realizada pelo Observatório Universitário, comparando a formação original e a profissão de 3,5 milhões de trabalhadores brasileiros formados em 21 áreas, 53% trabalham em áreas diferentes da sua formação profissional original. 

Em outro artigo do mesmo autor, publicado pela versão digital de O Globo, em 20 de julho de 2015, ele comenta algumas constatações feitas a partir de um estudo inédito dos pesquisadores Maurício Cortez Reis, do Ipea, e Danielle Carusi Machado, da UFF. Os dois analisaram, a partir do Censo de 2010, do IBGE, uma série de características dos trabalhadores com nível superior, relacionando rendimento e ocupação com a área de formação.

Uma das conclusões é que apenas um terço (33%) dos trabalhadores com nível superior no país estão ocupados em funções diretamente relacionadas ao seu diploma universitário. Considerando também aqueles que exercem funções ao menos parcialmente relacionadas à formação, este percentual sobe para 48%, o que significa que a maioria dos brasileiros de mais alta qualificação atua hoje em setores que nada têm a ver com seu curso. 💻

O grau de compatibilidade entre formação e trabalho, porém, varia muito de acordo com o curso universitário. Em saúde, por exemplo, a maioria (59%) dos formados atua em trabalhos totalmente relacionados à sua área. 👨‍⚕ O menor percentual foi verificado nas áreas de humanidade e artes, em que apenas 12% trabalham hoje numa profissão totalmente relacionada ao seu curso universitário. 👨‍🎨

Ilustro essa situação com o exemplo de minha própria filha. Ela estudou Direito e fez dois MBAs relacionados à sua formação, além de ter enfrentado o estressante processo de aprovação na prova da Ordem dos Advogados do Brasil. Nos primeiros anos após formada, procurou trabalhar na sua profissão, enfrentando muitas dificuldades para encontrar um emprego ou até um serviço autônomo como advogada. Depois de um certo tempo, foi-lhe oferecido um emprego na recepção de um hotel (ela é proficiente em dois idiomas). Acabou aceitando o emprego pela falta de oportunidades na sua profissão, e não porque esse fosse o emprego de seus sonhos.

Com o passar do tempo, ela começou a gostar da sua atividade profissional na recepção do hotel e acabou descobrindo que possui uma certa aptidão natural para exercer esses tipos de funções, tais como: facilidade de relacionamento e comunicação, empatia, resiliência, tino comercial, etc. Seu desempenho na função logo começou a ser elogiado por clientes, colegas e gerentes. Hoje, ela é responsável pela área comercial de um segundo hotel e, provavelmente, o exercício da advocacia está cada vez mais longe. Isso se, em algum dia, ele, de fato, existir. 💭

O custo do desvio profissional

Em primeiro lugar, é preciso refletir sobre o tempo investido na formação profissional, o qual pode ser de cinco anos na formação universitária, além do tempo alocado a cursos de pós-graduação. Trata-se de um tempo muito expressivo que, no caso de um desvio profissional, foi certamente mal utilizado ou, pelo menos, subutilizado. Como afirma Stephen Covey, autor do livro “Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes”, “Se a escada não estiver apoiada na parede correta, cada degrau que subimos é um passo a mais para um lugar equivocado”.

Se os jovens tivessem uma percepção mais clara sobre a profissão que verdadeiramente desejam exercer no futuro, certamente o tempo dedicado a uma formação profissional alinhada com atividade a ser exercida seria otimizado, tirando dele o maior proveito possível. ⌛

Porém, o desperdício de recursos não se limita ao tempo mal utilizado. Ele inclui também um desperdício de recursos econômicos, normalmente arcado pelos pais, que poderiam ter sido muito melhor aplicados caso a escolha da formação profissional estivesse alinhada com a profissão a ser exercida.

Em alguns casos, o custo do desvio profissional (tanto em tempo quanto em recursos financeiros) é ainda incrementado (praticamente dobra) quando, para exercer a profissão de fato, foi necessário realizar uma segunda formação universitária. É o caso, por exemplo, de um advogado cuja formação original foi na área de engenharia.

Por que ocorre o desvio entre a formação e o exercício profissional

Muitas razões podem contribuir para explicar a ocorrência do índice extremamente significativo de desvio profissional. Dentre elas, podemos destacar as seguintes:

  • Pouca maturidade e experiência da juventude na hora de escolher a formação profissional que desejam ter;
  • Escolha inicial feita pela perspectiva de ganhos financeiros e não pela vocação ou preferência pessoal;
  • Escolha inicial feita por pressões familiares;
  • Desconhecimento das características práticas do exercício da profissão escolhida;
  • Estudo, leitura e pesquisa limitados apenas ao mínimo exigido pela instituição de ensino.
  • Desconhecimento do perfil comportamental.

No entanto, existe uma causa muito mais importante e impactante e, apesar disso, muito pouco lembrada pelas pesquisas que estudam esse assunto. Trata-se da falta de um Plano de Vida dos jovens quando chegam a esta fase da vida.

A grande maioria deles não tem uma Missão definida nem uma Visão do futuro desejado; desconhece suas forças e fraquezas; não possui objetivos claramente definidos e nem elaborou os planos de ação para alcançá-los.

Ocorre com eles a mesma situação enfrentada por Alice, conforme descreve o texto abaixo extraído do livro “Alice no País das Maravilhas”.

No decorrer da viagem, Alice encontra muitos caminhos que seguiam em várias direções. Em dado momento, ela perguntou a um gato sentado numa árvore:

– Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?

– Isso depende muito de para onde queres ir – respondeu o gato.

– Eu não sei.

 O gato, então, respondeu sabiamente:

– Sendo assim, qualquer caminho serve”. 🧐

A importância do Plano de Vida na escolha da profissão

Embora elaborar um Plano de Vida seja uma atividade de extrema relevância para qualquer pessoa, independentemente de idade, sexo, escolaridade e profissão, ele é particularmente útil no momento da escolha da profissão. Ele pode, de fato, tornar muito mais assertiva essa escolha, evitando o desgaste, a perda de tempo e de recursos econômicos gerados pelo desvio profissional, conforme comentado anteriormente.

O Planejamento Estratégico Pessoal, que é o processo através do qual se elabora o Plano de Vida, é um processo contínuo e sistemático, através do qual qualquer pessoa pode:

  • Aumentar significativamente seu nível de autoconhecimento (diagnóstico estratégico).
  • Identificar seus direcionadores estratégicos (Missão, Visão e Valores).
  • Definir objetivos e metas para equilibrar e aumentar o seu nível de satisfação pessoal.
  • Estabelecer os planos de ação necessários para alcançar seus objetivos.
  • Selecionar indicadores que lhe permitirão monitorar e controlar a execução dos planos de ação.

Conclusão

Se você chegou a este ponto da leitura, certamente compreenderá a razão pela qual foi atribuído o título “Life Plan: Um Presente de Pais para Filhos” a esse post

A razão é muito simples: esse título nos lembra que ninguém melhor do que os pais para patrocinar ou incentivar seus filhos a elaborar seu primeiro Plano de Vida antes de tomar a importante decisão de escolher a sua profissão. São eles que, com sua sabedoria e experiência, além do desejo incondicional de que seus filhos sejam pessoas felizes e plenamente realizadas, são os orientadores mais qualificados em relação ao assunto.

Portanto, patrocine a elaboração do Plano de Vida de seus filhos, ou incentive-os a fazê-lo. Certamente, eles lhe serão gratos por esta oportunidade no futuro, além de que, ao fazer isto, você estará contribuindo para a diminuição do índice de desvio profissional. 👩‍👩‍👧‍👦

Uma Mensagem Final

A PERSPECTIVA Consultores Associados estuda e pesquisa este tema há muito tempo, e tem plena convicção de quanto o Planejamento Estratégico Pessoal pode ser útil e importante para um grande número de pessoas.

É exatamente essa convicção que nos levou a decidir desenvolver um Programa de Planejamento Estratégico Pessoal, o qual visa a auxiliar aquelas pessoas que sentem alguma dificuldade para elaborar seu Plano Estratégico Pessoal sozinhas.

O Programa é composto por seis etapas e dezoito módulos sequenciais que abordam todos os aspectos envolvidos no processo de elaboração do Plano de Vida ou Plano Estratégico Pessoal.

Se você deseja conhecer mais detalhes sobre o Programa de Planejamento Estratégico Pessoal da Perspectiva Consultores Associados, basta entrar em contato conosco através do e-mail perspectiva@perspect.com.br.

Esperamos que o conteúdo deste post tenha sido de seu interesse, estimulando-o a conhecer outros assuntos vinculados ao processo de Planejamento Estratégico Pessoal.

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